top of page

Macapá: Explore um roteiro cultural pela capital morena

  • mayracarvalhoconta
  • 8 de jan. de 2024
  • 18 min de leitura

Atualizado: 1 de abr. de 2024

Conheça Macapá através de espaços literários até turismo de aventura


Por Hendrew Rodrigues e Mayra Carvalho


Imagem aérea da Fortaleza de São José de Macapá e parte da cidade de Macapá. Foto: Getty Images.


O Amapá é uma região de grandes riquezas, seja na cultura, na comida ou na música. A cidade de Macapá, capital do o estado, possui diversas maravilhas, como a Fortaleza de São José de Macapá, o Monumento Marco Zero do Equador, o Bioparque da Amazônia e o Museu Sacaca. Mas a capital banhada pelo rio Amazonas também é terra de espaços pouco conhecidos pelo seu valor histórico ou cultural para a construção da história e fortalecimento da cultura local.


De acordo com o Plano Estadual de Turismo do Amapá, “o cenário encontrado no Estado do Amapá é de grande potencialidade turística, onde os principais atrativos estão relacionados à diversidade ambiental presente em seus diversos rios, lagos, praias, fenômenos naturais e matas”. Além da diversidade turística ambiental, o espaço urbano do estado também é marcado por uma grande diversidade cultural e histórica.


Um ótimo exemplo dessa riqueza é a cidade de Macapá, repleta de ótimos espaços para conhecer a cultura local através da contação de histórias e culinária. Nossa reportagem preparou um itinerário turístico para se fazer em Macapá em um dia de passeio pela cidade, indo da Biblioteca Pública, na Rua São José, no Centro da cidade, até a Orla de Macapá. Bora passear com a gente?


Primeira parada: Biblioteca Pública

A rua São José é uma ótima forma de começar um passeio cultural por Macapá. A começar pelo nome! Com chão de terra no século XX, a rua que leva o nome do padroeiro da cidade, tinha como vista a Igreja São José e uma casa construída para sediar o Senado da Câmara.

Igreja São José no início do século XX. Local onde hoje se encontra a Biblioteca Elcy Lacerda. Foto: Reprodução do livro "Macapá Querida".


Hoje essa mesma rua, já asfaltada, é caminho para os principais destinos comerciais do centro da cidade e lar de diversos pontos turísticos locais. A Igreja ainda está lá, bem em frente se localiza a Praça Veiga Cabral e no canto à direita pode ser encontrado o Teatro das Bacabeiras. A pequena casa se transformou no atual prédio da Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda, primeira parada deste percurso.


Fachada da Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda. Foto: Hendrew Rodrigues.


Com mais de 70 anos de existência, a instituição tem um importante papel culural, além de incentivar e preservar a história amapaense. E hoje quem nos conta as histórias que cercam os anos de existência da biblioteca é o “guardião do conhecimento”, José Pastana, atual coordenador da biblioteca pública de Macapá. Ele conta que a biblioteca passou por diversos locais antes de chegar até o prédio atual. “Ela começa com a doação do acervo do Acylino de Leão e depois ela começou a mudar. Foi para um local, foi para outro. Chegou até a estar em uma casa em frente à antiga escola GM, depois ela foi lá para a COBAL, atual SEBRAE. Depois veio para cá, já no seu espaço próprio”, comenta Pastana.


Ele relembra também que para o Prof. Nilson Montoril e o jornalista Hernadez Marinho, a biblioteca começou na verdade com um acervo da Escola Barão do Rio Branco. A origem exata é uma dúvida que permanece até hoje. Com a constante doação e compra de livros, logo que o Amapá se transformou em território, uma das primeiras preocupações do então governador, Janary Gentil Nunes, era transferir todo o acervo para um espaço mais cômodo para que toda a comunidade pudesse desfrutar dos livros.


Casarão onde funcionou a Biblioteca Elcy Lacerda. Foto: Reprodução do livro "Macapá Querida".


Até hoje a biblioteca recebe doações de livros, tanto usados quanto lançamentos, além de incentivar e auxiliar novos escritores a lançarem seus livros. Pastana explica que boa parte das atividades que a biblioteca desenvolve atualmente são uma forma de se adaptar ao fluxo de visitantes e a chegada da internet e livros digitais. A diminuição das visitas na biblioteca, abriu a oportunidade para que o espaço tivesse novos significados. "Nós tivemos que nos reinventar de uma forma que a biblioteca não ficasse isolada. Dessa maneira nós pensamos 'vamos ter que fazer desse espaço um espaço de transformação social'", afirma Pastana.


Desde então a biblioteca pública de Macapá possui salas temáticas e sedia exposições culturais e artísticas. O espaço possui cerca de 10 salas temáticas, entre elas estão Afro-indígena, Amapaense, memorial Elcy Lacerda, onde podem ser encontradas um rico acervo de obras raras, clássicos da literatura brasileira, coleções de periódicos como o “Jornal Amapá” (primeiro diário oficial do território) e “Pinsônia”.


Memorial Elcy Lacerda, personalidade amapaense que dá nome à biblioteca estadual desde 1996. Foto: Mayra Carvalho.


Para conhecer cada cantinho, basta seguir no corredor principal do prédio. O primeiro espaço que nos é apresentado é a galeria Alcy Araújo, onde sempre podem ser encontradas exposições de quadros e artesanatos, além de eventos culturais e artísticos. Ao lado esquerdo da sala está um pequeno memorial de Alcy Araújo, com a mesa, máquina de escrever e alguns livros do autor. Já ao lado direito está uma das salas temáticas: Amapaense, que conta com o acervo dos escritores amapaenses e da Amazônia. Bem ao lado está a sala infanto-juvenil que também conta com obras raras, como gibis antigos.


Subindo as escadas para o andar de cima, o primeiro espaço que encontramos é o memorial Elcy Lacerda. Personalidade que dá nome à biblioteca estadual desde 1996, Elcy Rodrigues Lacerda era professora e, assim como sua vida, viveu a profissão intensamente. Amante de viagens, colecionou quadros, objetos diversos e artesanatos dos lugares que conhecia. Após falecer, sua família doou suas recordações que hoje complementam o acervo da biblioteca.


Sala Afro-Indígena com exibição de bonecos, tambores, urnas e artefatos indígenas. Foto: Mayra Carvalho.


No corredor ali próximo estão as outras salas temáticas. A primeira é a Afro-indígena. Enquanto mostra bonecos com saias longas e coloridas e tambores, simbolizando o Marabaixo, no canto esquerdo da sala e logo em seguida os artefatos indígenas em uma mesa em frente às prateleiras com livros, Pastana explica que essa é “uma sala de memorização e museologia, além de todo o trabalho de artefatos e cultura” ali encontrados.


Logo adiante entramos na sala de periódicos onde podem ser encontrados os jornais publicados no Amapá nos últimos 15 anos. Por serem publicações antigas, Pastana explica que para fazer uso do material é necessário utilizar álcool em gel, luvas e máscara, tendo em vista que são papéis antigos e não podem sofrer danos. As publicações com mais de 15 anos ficam em uma sala bem ao lado, a de Obras Raras. É nessa sala que se encontra o jornal “Pinsônia”, o mais antigo do Amapá, publicado por volta de 1895.


Jornal Pinsônia, o mais antigo do Amapá. na foto é exibido a edição de 1895. Foto: Mayra Carvalho.


O famoso “Pinsônia” fica logo na entrada da sala, protegido por uma caixa de vidro. O primeiro jornal do território, Pinsônia, é considerado por alguns escritores amapaenses como o marco inicial da produção local, já que nele foram publicados os primeiros textos produzidos no Estado. Nessa sala também podemos encontrar diversas edições do Jornal Amapá (1944 em diante), primeiro diário oficial do território, e outros livros e enciclopédias antigas. Um verdadeiro tesouro histórico, não acha?.


Sala de periódicos antigos já veiculados no Estado do Amapá. Foto: Mayra Carvalho.

Outra coisa que pode ser encontrada facilmente pelos corredores da biblioteca são escritores e artistas amapaenses. Isso porque a biblioteca tem um grande significado para cada um que visita o local. O professor e escritor Paulo Tarso explica que para ele a biblioteca é fundamental em sua vida. “Faz parte da minha vida. É uma segunda casa para mim. Uma segunda família.”, comenta o escritor relembrando a gratidão que sente pelo espaço.


Segunda parada: Mercado Central

Depois de um cafezinho e um ótimo papo com escritores amapaenses sobre as suas experiências no Estado e muita contação de história, está na hora de se deliciar com a culinária amapaense. Para isso, o Mercado Central é uma ótima pedida! A alguns quarteirões dali, na Rua Cândido Mendes, entre as ruas Antônio Coelho de Carvalho e Henrique Galúcio, em frente a Fortaleza de São José de Macapá, está o Mercado Central.


Sendo um lindo cartão postal do Amapá, o espaço esbanja história, tradição e cultura através da culinária local. Inaugurado em 13 de setembro de 1953 pelo então Governador Janary Nunes e pelo Prefeito Claudomiro de Moraes, o espaço tinha o objetivo de vender produtos do interior, na época descarregados no Trapiche Eliezer Levy, como carnes, verduras, legumes e outros gêneros alimentícios. No local também funcionava barbearias, perfumarias, drogarias, lanchonetes, restaurantes e oficinas de sapatos.


Uma curiosidade desse período: Por conta da escassez de alimentos, os comerciantes se organizavam para que todos pudessem fazer compras. Cada pessoa tinha um limite de quantidade de cada alimento que poderia comprar. Assim, mais pessoas conseguiam consumir alimentos variados.


Frente do Mercado Central de Macapá. Foto: Mayra Carvalho.


Localizado na Praça Teodoro Mendes, batizada assim em homenagem ao ex-prefeito de Macapá, Manuel Teodoro Mendes, o espaço em que o Mercado Central foi construído é caracterizado pela presença de construções antigas que formam o centro histórico da cidade. Foi, inclusive, a partir dessa área que a cidade de Macapá começou a se expandir.


O mercado que tem como vizinho o Rio Amazonas, mais do que produtos populares, entrega tradição e cultura para o povo amapaense. Esse símbolo da cultura amapaense há muito tempo é considerado ponto de encontro pelas famílias do estado. Para Giulia Gomes, frequentadora do espaço, o Mercado Central “representa a cultura de um povo na história de Macapá. E hoje, depois de muito tempo esquecido, nos oferece um lugar de encontro, gastronomia e atrações culturais locais”.


Frente do Mercado Central com o letreiro "Eu amo Macapá". Vídeo: Mayra Carvalho.


As memórias construídas ao longo de quase 70 anos de existência incluem empreendimentos famosos, como o Bar Du Pedro, Clip Bar, Revista Cinelândia, Mercearia do Chaquib, Sapataria Chic. Hoje, o espaço é dedicado à culinária, ótimo para quem deseja conhecer as comidas típicas amapaenses ou lembrar do gosto da sua terra natal.


As portas azuis do Mercado Central e as obras em tons vibrantes que ilustram símbolos culturais, como o Marabaixo e o batuque, são a porta de entrada para diversas delícias que estão apenas à espera de serem degustadas. Indo pelo lado direito do salão logo se vê o Naide Restaurante, onde pode ser encontrado diversos pratos com peixes, o famoso camarão no bafo e, claro, o tradicional açaí.


Jonas Rodrigues, garçom do restaurante, trabalha há quase 1 ano no mercado e, ao som de Meu Endereço de Zé Miguel, já chega apontando os pratos mais pedidos do cardápio: Dourado, Filhote e Pirarucu. Trabalhando com tantas delícias, Jonas contou para a gente sobre sua satisfação em ter um símbolo amapaense como seu local de trabalho. “Desde o momento que eu comecei a trabalhar aqui, é excelente! Eu conheço diversas pessoas que não conhecia. O cliente chega e já sei qual o tipo de comida ele gosta. É muito satisfatório.”


Sendo um bom conhecedor dos pratos regionais, o garçom já faz sua indicação do cardápio: Pirarucu! Por apenas R$28, o prato acompanha arroz, feijão, salada e farofa. Outra opção é o açaí como acompanhamento com farinha de mandioca ou tapioca por R$35. De acordo com Jonas, ali “é a gosto do cliente”.


Segundo piso do Mercado Central. Foto: Mayra Carvalho.


Depois de uma bela refeição, que tal subir para o segundo piso? Os artesanatos e plantas de tamanhos variados decoram o ambiente e o deixam ainda mais lindo e propício para tomar um café e garantir as lembranças dos espaços, seja para presentear alguém ou a si mesmo.


Para aproveitar ainda melhor o clima do espaço e o vento proporcionado pelo grande Rio Amazonas, um simples banco na frente do Mercado Central já é suficiente! Com a linda vista, fica até difícil decidir ficar por ali mesmo e curtir uma noite cultural com músicas e apresentações enquanto aproveita uma cervaja gelada no mais antigo bar de Macapá, o Bar du Pedro, ou seguir caminho para conhecer mais um pouco da cultura local. Seja qual for a escolha, não há arrependimentos.


Vista do Bar du Pedro, bar mais antigo de Macapá. Foto: Hendrew Rodrigues.


Antes de irmos para a próxima parada, não deixe o Mercado Central antes de fazer seu registro fotográfico no letreiro de Macapá em frente ao espaço e também na placa da grandiosa Fortaleza de São José de Macapá.


Terceira parada: Museu Joaquim Caetano

Uma feliz coincidência (muito feliz mesmo!) é que durante a produção dessa reportagem o Museu Joaquim Caetano da Silva foi reaberto! Ao saber que em 2014 o Museu foi fechado para reforma estrutural, ou seja, estava fechado para visitação há 8 anos, você com certeza entende o motivo da felicidade.


Muitos amapaenses nunca puderam visitar o Museu e contemplar os objetos históricos que o espaço abriga. E com a reabertura em dezembro de 2022, vários cidadãos estão aproveitando a oportunidade. Inclusive Hendrew e eu, Mayra. Essa parada nós vamos conhecer juntos!


Mas calma, temos que chegar lá primeiro. Para não deixar ninguém ansioso, vamos seguir uma rua direta: a Rua Cândido Mendes. Enquanto atravessamos as 7 ruas que cruzam com a Cândido Mendes, uma curiosidade. O promotor maranhense que recebeu o nome da principal rua do comércio de Macapá como homenagem póstuma, deixou uma vasta bibliografia. Entre as suas principais obras estava o "Pinzônia", um projeto de criação da Província de Pinsônia que abrangia a região do Cabo do Norte no Amapá.


Fachada do Museu Histórico Joaquim Caetano. Foto: Mayra Carvalho.


Chegando ao Museu Joaquim Caetano, na Av. Mário Cruz, não tem como não se encantar com o casarão amarelo, com detalhes brancos e portas verdes. O espaço possui 3 salas para visitação, onde ficam expostos objetos encontrados em escavações nos municípios do Amapá e até mesmo em bairros da capital Macapá e objetos encontrados na Fortaleza de São José.


Urnas indígenas expostas no Museu Joaquim Caetano. Foto: Mayra Carvalho.

A primeira sala que visitamos logo que entramos no prédio é a primeira porta do lado direito. Nessa sala podemos observar diversas urnas funerárias de povos indígenas do Amapá encontradas em escavações nos sítios arqueológicos de municípios como Calçoene e Porto Grande. E também em bairros como Pacoval, na zona norte de Macapá.

Nessa sala também se encontra uma urna funerária com os restos mortais do diplomata que leva o nome do museu, Joaquim Caetano da Silva.

Do outro lado do corredor temos diversos objetos expostos da história amapaense.

A primeira que o guia do museu nos mostra é uma tela grande com um pouco da origem do estado.


Mural "Nossa terra", que traz imagem antiga da cidade de Macapá e informações sobre o início da capital. Foto: Mayra Carvalho.


Logo em seguida, ele nos apresenta bolas de canhão e ferramentas encontradas na Fortaleza de São José. Na ampla sala também tem a entrada de uma casa de madeira. O guia explica que o objetivo é fazer uma homenagem aos povos ribeirinhos e ao estilo de vida ainda bem presente na nossa região.


Para os amapaenses, a próxima tela é quase um quiz de quem conhece mais a cidade. A tela tem diversas fotos da antiga Macapá e o guia sempre escolhe uma das fotos do quadro e pergunta se sabemos onde é. Para nós ele mostrou a foto de uma rua do centro da cidade, com crianças jogando bola e ao fundo uma igreja. Eu prontamente respondi que era a Praça Veiga Cabral. Como sabia? Quando visitei a biblioteca Elcy Lacerda pela primeira vez fui presenteada pelo diretor com um livro chamado "Macapá Querida". O livro contém diversas imagens históricas e raras de Macapá, que vão do início do século XX até os anos 70.


Bandeira da França em vermelho e branco. Foto: Mayra Carvalho.


Essa segunda sala é a que possui mais espaços diferentes para olhar. Nela também encontramos a bandeira francesa! Quando as cores que compunham a bandeira ainda eram apenas o vermelho e o branco. Mas também temos uma versão já com o azul também exposta.


Para nos levar ao próximo ponto ainda na mesma sala, o guia faz uma piada conhecida entre os amapaenses. Ele fala sobre temos perdido a chance de sermos franceses. Isso porque durante o conflito do Contestado Franco-brasileiro, em 1895, um homem chamado Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho, atuou contra invasores franceses na Vila de Espírito Santo, atualmente município de Amapá, e é tido como um herói do Amapá.


O motivo da piada é que, para muitos amapaenses, Cabralzinho não foi um herói. Agora que já sabe a piada, seguimos. O Museu abriga o uniforme usado por Cabralzinho durante esse conflito.


Uniforme de Cabralzinho e acima um painel com os nomes e idades das pessoas que morreram durante o período do conflito. Foto: Mayra Carvalho


No local protegido com madeira e vidro, estão o uniforme, chapéu e espada do combatente. Acima do uniforme de Cabralzinho se encontra um painel com uma lista dos nomes e idades das pessoas que morreram naquele período e como aconteceu.


Ainda na mesma sala ampla, o guia nos mostra pertences do escritório do primeiro governador do Amapá, Janary Nunes, assim como um registro fotográfico do político com o Presidente da República da época, Getúlio Vargas. O espaço também conta com uma homenagem ao Marabaixo, Patrimônio Imaterial do Amapá, e também aos ribeirinhos, com canoas expostas na parede.


Pertences do escritório do primeiro Governador do Amapá, Janary Nunes. Foto: Mayra Carvalho


A terceira sala do museu é uma sala de reuniões e palestras e possui alguns quadros expostos do plano de urbanização de Macapá. O guia explica que a ideia era que os bairros e ruas da capital seguissem um planejamento para melhor organização da cidade. No entanto, os bairros foram crescendo muito rápido e infelizmente não se pôde ter um acompanhamento tão rápido quanto.


Apesar de termos passado pelo corredor diversas vezes, ele é nossa última parada. O guia nos mostra diversos painéis com a história do museu e de Joaquim Caetano da Silva. Ele também nos mostra um filtro antigo e explica como funcionava: era colocado água no filtro e logo ela era totalmente absorvida. Depois de uma hora a água limpa e filtrada começava a sair pela parte de baixo pronta para consumir.


Mais à frente estão expostos itens como manto, espadas e cantil de vinho do intendente Theodoro Mendes. Depois do tour, ficamos livres para voltar aos espaços e olhar tudo com mais calma, fazer fotos e vídeos. Um registro que com certeza não pode faltar é em frente ao prédio. A arquitetura antiga e a paleta de cores do museu ficam ótimos na foto!


Quarta parada: Orla do Rio Amazonas

Não dá para turistar pela capital do meio do mundo e não contemplar um dos maiores rios do mundo em volume de água. Isso mesmo, estamos falando do majestoso Rio Amazonas. Esse é um ponto turístico que não precisa de horário específico para aproveitar, pois toda hora é hora de recarregar as energias pegando um vento no rosto pela Orla de Macapá. Vamos para a próxima parada?

Quiosques da praça Issac Zagury. Vídeo: Mayra Carvalho.


As praças sempre são uma ótima opção para encontros e passeios em família e com os amigos. Em Macapá podem ser encontradas diversas praças que se encaixam para essa programação, como a Floriano Peixoto, Veiga Cabral, Zagury e tantas outras espalhadas pela cidade.


Uma coisa muito legal é que em cada praça é possível ter um momento diferente. A Floriano é ótima para piqueniques e programações mais calmas. Já a Veiga Cabral funciona muito bem como ponto de encontro e descanso entre as compras no centro ou até mesmo uma paradinha para um lanche rápido nas bancas que ficam por ali. Na Zagury, pode seguir a sugestão de Nivito na famosa música “Tô em Macapá” e "comer um charque com farinha e açaí".


Cocos comercializados na Praça Isaac Zagury. Foto: Mayra Carvalho.

Os parques em Macapá próximos da Orla são perfeitos para quem deseja desfrutar das belezas que ali se encontram e ter como companhia uma água de coco e o majestoso Rio Amazonas. Nós vamos para uma praça super perto! Para encerrar o dia bem! É só atravessar a rua Binga Uchôa e escolher um dos quiosques da Praça Isaac Zagury, popularmente conhecida como Praça do Coco. A recomendação aqui é fazer uma parada e tomar uma água de coco gelada e, quem sabe, saborear um abacaxi temperado para refrescar nas tardes quentes de Macapá, que podem chegar até 35 °C durante o verão.

Enquanto a gente te conta um pouco mais sobre esse espaço, aproveite também para recarregar a energia com uma batata ou macaxeira frita. Ou os dois. Aqui você pode misturar.


A praça é em homenagem a Isaac Zagury, pioneiro da indústria e do comércio de Macapá. O espaço foi inaugurado em 1981 pelo então Governador do Território Federal do Amapá, Annibal Barcellos e era referência, principalmente para a juventude da época.


Quiosques da Praça Zagury. Foto: Mayra Carvalho


O motivo de chamarem o lugar de Praça do Coco não é porque a maioria dos quiosques vendem coco, como você pode estar pensando. Mas sim porque a praça foi revitalizada e passou a se chamar Praça do Coco, em 2010. Em 12 de setembro de 2015 a Praça Zagury retomou seu nome original, com um projeto idealizado pelo Instituto Memorial Amapá.


Uma coisa muito legal sobre o complexo turístico que temos na Orla de Macapá é que atravessando a Av. Mario Cruz chegamos ao Macapá Hotel.


Frente do Macapá Hotel, na orla de Macapá. Vídeo: Mayra Carvalho.


É muito comum ouvir as mais diferentes versões do que ocorreu com o espaço, já que o hotel não é mais ativo apesar da sua ótima localização.


O Grande Hotel de Macapá, como foi chamado anteriormente, também foi construído quando o Amapá ainda era Território Federal para atender ao número cada vez maior de visitantes que chegavam por aqui. A construção do prédio de estilo colonial iniciou em julho de 1944. O espaço de dois pavimentos tinha espaços como salão de jogos e diversão, salas para barbearia, perfumaria, engraxataria e bar no térreo. Já o segundo pavimento contava com apartamentos com dois dormitórios e dezesseis quartos. Desses, os oito da fachada principal tinham varandas que permitiam colocar redes.


O espaço era parada obrigatória de jovens e adolescentes da época para tomar sorvete servido na taça pelo saudoso garçom Inácio, onde também era servido o inigualável Flip Guaraná. Uma curiosidade muitíssimo bacana! O Flip Guaraná foi o primeiro refrigerante do Amapá e sua fórmula foi criada pelo farmacêutico José Zagury, irmão mais velho de Isaac Zagury.


Fachada da Casa do Artesão. Foto: Mayra Carvalho.


Outro local que compõe esse circuito turístico é a Casa do Artesão. Para chegar lá basta seguir em frente e atravessar a Av. Padre Júlio Maria Lombaerd. Visitando a Casa, temos a oportunidade de apreciar o trabalho dos artesãos amapaenses. São inúmeras peças feitas em cipó, cerâmica, sementes, argila.


Vista de cima da Casa do Artesão. Vídeo: Mayra Carvalho.


Além disso, é possível conhecer alguns temperos usados por aqui, como pimentas, e cachaças, como a famosa gengibirra. A bebida hoje é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio imaterial do Brasil, mas a sua origem começou com o objetivo de ser “combustível” para os festeiros nas rodas de batuque e Marabaixo. Em alguns momentos também é possível experimentar outros produtos, como café de açaí ou a cachaça de açaí, fruta muito presente no cotidiano do amapaense.


Fachada do Sabores do Amapá. Vídeo: Mayra Carvalho.


Um outro ponto importante fica bem ao lado: Sabores do Amapá. A praça de alimentação Sabores do Amapá é um espaço de comercialização de alimentos, abrigando empreendedores em 30 espaços em que são vendidas comidas típicas amapaenses, como vatapá, tacacá, maniçoba, açaí. Essa é inclusive uma ótima sugestão de espaço para jantar ao fim do nosso passeio turístico pela cidade. Outra breve sugestão é um jantar nos restaurantes da Orla. É pertinho. Basta atravessar a rua e fazer o seu prato, que gratuitamente vem acompanhado com o frescor do Rio Amazonas e as músicas nortistas para embalar o resto da noite.


Bares e restaurantes na Orla de Macapá. Vídeo: Mayra Carvalho.


Para finalizar a noite, já que estamos na Orla, não podemos deixar de falar sobre a estátua de São José de Macapá. Passando pelo lugar, você deve ter visto diversas pedras com uma estátua em cima. Ela é chamada de Pedra do Guindaste e é um monumento que no século passado teve como finalidade servir de alvo para os exercícios de tiro dos soldados amapaenses. Em passeios, quando a maré está baixa, é possível ver pessoas caminhando ou tomando banho de rio. Em alguns espaços também ocorrem os já tradicionais jogos de futlama.


Vista para o Rio Amazonas. Durante maré baixa, população aproveita para tomar banho e caminhar. Vídeo: Hendrew Rodrigues.


Existem algumas lendas sobre a Pedra do Guindaste, como a da cobra Sofia. Os moradores contam que existe uma cobra grande que sai dali para tomar água quando o rio não está na cheia e nem na vazante, aqui chamado de "maré de reponta". Contam também, que se alguém mandar tirar a pedra do rio, a água do Amazonas vai subir tanto que a cidade de Macapá inteira vai ser coberta de água.


Um certo dia foi colocada a estátua de São José, padroeiro da capital, em cima da pedra. Pouco tempo depois um navio se chocou contra a pedra e a destruiu. No espaço foi construído um pedestal para a estátua que fica de costas para Macapá, mas abençoando todos que chegam por aqui pelo Rio Amazonas.

Aqui no estado existem diversas versões que envolvem a cobra Sofia e também outras lendas da região. É algo que com certeza vale a pena conferir, afinal esse tipo de história é algo muito comum na região norte do país.


Parada bônus: Bioparque da Amazônia

Caso tenha mais um tempinho para passear por Macapá, fica aqui a indicação do Bioparque da Amazônia. Essa é uma parada bônus porque o espaço fica um pouco distante do centro da cidade, mas podemos garantir que você não vai se arrepender nem um pouquinho de visitar o parque.



Fachada do Bioparque da Amazônia. Foto: Mayra Carvalho.


O espaço foi criado em 1973 como Parque Florestal da Cidade, por Raimundo dos Santos Souza, o “Mestre Sacaca”, para receber animais silvestres acidentados durante a construção da estrada que liga Macapá ao Porto de Santana. O Parque Zoobotânico Municipal, conhecido agora como Bioparque da Amazônia Arinaldo Gomes Barreto, estava fechado desde 2003, por recomendação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


Indicação do que fazer no Bioparque tem de sobra! Turismo de aventura e contemplação da fauna e flora amazônica é só o início de uma experiência única. Assim que se entra no parque você pode escolher qual trilha terrestre fazer: Pau-Brasil, Onça, Sacaca, Ressaca e Guarda-Parque, que variam entre 30m e 4km. Durante as trilhas terrestres, é possível encontrar outras atrações.

Como o Bioparque fica aberto o dia inteiro, é possível explorar o espaço todo, ou quase todo, já que o lugar tem mais de 100 hectares de área.


Fica aqui o desafio de conhecer o Bioparque por inteiro. Adianto que nós já tentamos e sempre falta algo pra visitar. Mas como organizamos esse tour especialmente para você e não desistimos fácil, vamos tentar de novo! Topa o desafio?


Para facilitar o passeio, dá uma conferida no mapa do Bioparque da Amazônia para escolher por qual trilha quer começar e se realmente pretende fazer todas.


Mapa do Bioparque da Amazônia. Foto: Reprodução/Prefeitura de Macapá.


A nossa indicação é fazer a trilha Guarda-Parque. Essa é a maior trilha do parque e passa por diversos espaços, como a casa na árvore, deck da contemplação, redários, estação da tirolesa. Nessa trilha é possível visitar alguns animais também, como os macacos e as antas, além de experimentar diferentes solos ao longo do trajeto, como terra firme, cerrado e área de ressaca.


Outra indicação é fazer a trilha central. Nela você passa novamente pelos logradouros das antas e macacos e conhece agora o logradouro das aves.


Vista para o espaço de alimentação e parque infantil do Bioparque. Foto: Mayra Carvalho

Nesse mesmo caminho também passa pelo coreto e teatro infantil. Se der sorte, no dia da sua visita pode estar ocorrendo alguma apresentação. E a gente garante que vale a pena parar e assistir um pouco das exposições culturais. A última que assistimos foi da Companhia de Artes Uirapuru, com teatro, música e contação de histórias sobre as lendas amazônicas.


Daqui você pode seguir em frente e parar na lanchonete ou sentar nos bancos de balanço. Fica a dica para levar uma rede e aproveitar o espaço entre as árvores para descansar um pouco da caminhada e bater um papo.


Vista para o espaço central do Bioparque, destinado a interação e lazer em grupo. Foto: Mayra Carvalho

O Bioparque da Amazônia é gigante e cheio de possibilidades, então se sinta totalmente livre para fazer sua própria trilha. Só promete uma coisa pra gente, não vai embora sem fazer pelo menos uma atividade de aventura no Bioparque, hein? Se valer mais uma indicação, adquira o combo trilha suspensa e tirolesa. É uma forma incrível de conhecer o espaço inteiro de cima e adicionar mais uma coisa à sua lista de experiências para aproveitar a vida da melhor forma possível. Como deve ser!


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Cobra Sofia

Diz lenda que há muito tempo, em uma aldeia próxima à ilha de Santana, vivia a Índia Icorã. A beleza da Índia chamava atenção. Icorã era...

 
 
 
Isaac Zagury

Isaac Zagury nasceu em Macapá, em 11 de agosto de 1914, quando o Amapá ainda pertencia ao Estado do Pará. A região foi desmembrada do...

 
 
 

Comentários


© 2022 . Desenvolvido por Mayra Carvalho. Criado por Wix.com

bottom of page