Festa de São Sebastião: Evento cultural tradicional de Jarilândia
- Mayra Carvalho

- 10 de jun. de 2022
- 3 min de leitura
A festa de São Sebastião é caracterizada pela sua simplicidade e irreverência no Vale do Jari. O festejo é um evento cultural muito reconhecido pela comunidade local e pelos apreciadores da tradição cultural centenária.
O período da festa de São Sebastião é de 10 a 20 de janeiro, porém, antes desses dez dias e, especialmente no dia 18, a equipe dos Foliões de São Sebastião, composta por jovens da comunidade, seguem uma longa jornada. Ela sai de Jarilândia, geralmente, no dia 2 de janeiro, para realizar a Esmola de São Sebastião.
O grupo parte em uma embarcação levando a imagem do padroeiro para as comunidades da foz do Rio Jari, com o Rio Amazonas, entre as comunidades, podem ser citadas: Maracujá, Maruim, Laranjal, Aruãns, Santa Rosa, Jardim do Edem, Furo Grande, Limão, Tartaruguinha, Santana do Flechal, Bacabal, Aturiá e Cajuzinho. Eles seguem também para as comunidades localizadas em Jarilândia, acima do Rio Jari, a exemplo de Saudade, Bezerra, Tucunarei, Binga, Chavie, Marajó, Polônia, Açaízau, Paga Dívida e Bom Jardim.
O termo “esmola” refere-se à peregrinação da imagem de São Sebastião às casas dos moradores, em diversas comunidades do rio Jari e do Rio Amazonas, que têm o referido Santo como intercessor. Movidos pela força da tradição, o cortejo religioso vai cantando hino, tocando os tambores, levando a bandeira e a imagem nas mãos, passando nas casas daqueles que aceitam recebê-los.
Chegando às casas dos devotos, reza-se o Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e cantam-se vários cânticos (Hino de São Sebastião, Casa Santa, Levantai-vos soldados de Cristo, entre outros. As famílias agradecem ao santo pelas graças recebidas por meio da oração e ofertando (não obrigatoriamente) algum donativo, como: porco, frango, pato, cacho de banana, boi, leite, dinheiro, entre outros.
Todos os donativos são leiloados para angariar recursos para melhorar a cada ano o festejo. Depois de visitadas todas as comunidades, os foliões retornam da peregrinação um dia antes do início da festa.
Na tarde do dia 18 de janeiro os devotos saem em procissão com a bandeira, a cruz, os estandartes de Jesus e Maria, os anjinhos e com o andor que leva a imagem do padroeiro rumo ao Porto localizado na frente da Vila. Nele, embarcações de grande e de pequeno porte aguardam os devotos para a realização da “Meia lua” de São Sebastião do Rio Jari.
O último dia da festa é a grande procissão, com a presença do padre da Paróquia de Vitória do Jari. Para esse momento as mulheres novamente vestem seus filhos de anjinhos. À frente do cortejo religioso vai a bandeira do santo, abrindo passagem. Logo depois, o maior símbolo do catolicismo, a cruz; os estandartes de Jesus e Maria; a bíblia com as velas, e o santo carregado sobre os ombros dos devotos.
Poucas vezes a vila de Jarilândia vai dormir tão tarde como ocorre no período de janeiro. As famílias, após o ato religioso, vão para casa, ou para o lugar onde estão alojadas, se arrumar para a festa dançante referente à festividade de São Sebastião.
No dia 20 de janeiro, a festa religiosa termina com a celebração da missa, em que todos os devotos participam e celebram o dia de São Sebastião e o término de mais um ano do festejo.
Programação completa
10 de janeiro: Abertura da festa com alvorada, procissão, levantamento do mastro junto a Bandeira Central e novenário até o dia 19 de janeiro
18 de janeiro: Procissão e realização da Meia Lua – o termo se refere ao ato das embarcações darem 3 voltar em frente a Jarilândia.
20 de janeiro: Grande procissão e derrubada do mastro
Origem do festejo
A festa de São Sebastião é uma demonstração de fé que surgiu e cresceu junto à história de Jarilândia. A Vila foi primeiramente chefiada pelo cearense Zé Júlio, ocupando o espaço com seus trabalhadores, entre negros e pardos. Depois vieram os portugueses, e por último, os americanos. Cada um deixou sua marca nessa terra. Então, no período em que o coronel Zé Júlio era o administrador das terras de todo o Vale do Jari, surgiu a festa de São Sebastião em Jarilândia.
A história começou em uma região chamada Limão, primeira sede das terras do Coronel José Júlio. Naquele período, todo o Vale do Jari enfrentava uma epidemia de gripe que estava matando muitas famílias. Em entrevista ao artigo “O centenário de uma riqueza cultural”, Helena Tavares, conta que os moradores “morriam igual formiga”. Foi então que Dona Francisca, esposa de Zé Angélico (Gerente do Coronel), muito católica, assim como grande parte dos que lá habitavam, fez uma promessa a São Sebastião. Ela clamou ao santo para que a epidemia não chegasse à região que residia. Em troca, mandaria buscar uma imagem em agradecimento pela graça alcançada, para que fosse homenageado anualmente.



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