Fotografia Cultural: entrevista exclusiva com Gabriel Penha
- Amapá nas Entrelinhas

- 9 de fev. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de abr. de 2022
Apaixonado pela cultura amapaense, o fotojornalista Gabriel Penha (42) se dedica a mais de 20 anos em registrar a cultura de Mazagão Velho, no interior do estado do Amapá e expandi-la a diversos lugares do Brasil e do mundo, colocado o estado em evidencia nacional.
Gabriel penha ingressou no fotojornalismo motivado pela admiração do trabalho de outros fotojornalistas amapaenses. No inicio de sua carreira como jornalista, por volta dos anos 2000 dava suporte a esses fotógrafos e achava interessante o olhar que eles tratavam nas imagens, no entanto, percebeu que tinha uma visão própria e que queria aprimorá-la. A convite do jornal Folha do Amapá para atuar como repórter foi possível assumir as fotografias de suas matérias e dos seus colegas, e pela qualidade e sucesso de sua dedicação levou Penha a se encantar de vez pelo fotojornalismo.
Desde sua descoberta como fotógrafo Gabriel cobre diferentes eventos, no entanto, sua maior paixão é a fotografia cultural, com destaque para eventos como carnaval, dia da consciência negra, encontro dos tambores e principalmente sobre as tradições de Mazagão Velho – AP. Para falar um pouco mais sobre essa paixão, Gabriel Penha abriu espaço para entrevista exclusiva com o Amapá nas Entrelinhas, destacando os motivos de tais escolhas e a importância para sua vida e de sua comunidade.
ENTRELINHAS – O que motivou a fotografar os eventos Culturais de Mazagão Velho?
GABRIEL PENHA - Minha ligação com os festejos começou quando ainda não existiam associações e incentivos governamentais, a organização era feita pelos próprios moradores. Quando tinha por volta de 9 anos eu frequentava esses festivais principalmente por incentivo dos meus avós que tinham participação ativa. Primeiramente tomei gosto pelo festival de São Tiago, o qual eles participavam, porém, outros festivais me atraíram como o Marabaixo de rua, festa de São Gonçalo, festa de Nossa Senhora da Piedade, e por amar cada evento desses comecei a registrar com mais fidelidade em 2006.
AMAPÁ NAS ENTRELINHAS – Qual a importância de fotografar a Cultura de Mazagão Velho?
GABRIEL PENHA – Em 2006 a festividade de Aniversário de Mazagão Velho trouxe uma abordagem fúnebre para prestigiar os primeiros moradores, e contou com a participação do Exército Brasileiro, Polícia Militar e grupo de Arqueólogos da Universidade de Pernambuco. A partir desse evento percebi que as informações eram coletadas dentro da comunidade, no entanto, o retorno para comunidade era muito pouco, foi quando resolvi fazer esse registro para apresentar aos meus descendentes, no sentido de poder contar com esse acervo permanente, afinal é a história de um povo que merece melhor do que qualquer outra pessoa saber e ter acesso as suas informações.
AMAPÁ NAS ENTRELINHAS – Qual a importância de Mazagão para a História do Amapá?
GABRIEL PENHA – Mazagão é um capítulo pouco conhecido do Brasil Colonial, uma colônia portuguesa no Marrocos foi desativada e transferida para o Amapá, e hoje é região de Mazagão Velho. Essa proposta foi uma forma que Marques de Pombal encontrou para manter a Amazônia povoada protegendo contra invasões, e junto com sua inclusão vieram importantes tradições as quais conhecemos até hoje.
AMAPÁ NAS ENTRELINHAS – Quais as datas mais importantes no calendário cultural de Mazagão Velho?
GABRIEL PENHA – O calendário é extenso, começa com o festival de São Gonçalo do dia 06 de janeiro até 10 de janeiro, em seguida tem o seu aniversário em 23 de janeiro. Após o aniversário comemora-se a semana santa, com destaque para a cerimonia de recomendações das almas feita nas ruas e cemitérios, o que para quem não conhece pode ser assustadora. Em julho comora-se o festival de Nossa Senhora da Piedade, com ponto alto dia 11. Temos ainda a Festa de São Tiago que começa dia 16 de julho até 28 de julho e mistura religião e teatro a céu aberto, em agosto ocorre a festa do Divino Espirito Santo e o Marabaixo de rua, em setembro festa de Nossa Senhora da Luz e em dezembro o Cordão das Pastorinhas, portanto, Mazagão Velho respira cultura, o que é impossível não querer registrar.
AMAPÁ NAS ENTRELINHAS – Quais as curiosidades sobre a cidade de Mazagão Velho que queira destacar?
GABRIEL PENHA – Mazagão guarda as ruinas da primeira igreja do tempo de colonização, além de possuir uma orla recém-inaugurada no rio Mutuacá, além de possuir casa de cultura e centro histórico que infelizmente não estão funcionando. Mazagão possui grande potencial para o turismo, no entanto, ainda faltam incentivos e criação de politicas públicas que valorizem ainda mais a vila, para que assim aumente o patamar de turismo.



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